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"Ou
locupletamo-nos todos, ou restaura-se a moralidade(...)"
Ruy Barbosa
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Surpreendi-me quando uma professora de terceiro grau, lotada em uma
universidade privada da periferia da chamada Grande São Paulo, declarou-se
assustada com sua variada clientela de nível superior, na maioria
sem ao menos saber conjugar uma oração com sujeito, predicado e verbo.
Pois pensei que essa doutora universitária tivesse, como Educadora
sim, uma noção real do verdadeiro triste estágio do atual ensino publico
brasileiro como um todo, e, no caso, paulista-paulistano (a maior
economia do Brasil), cujos problemas, cedo ou tarde, de forma direta
ou indireta, explodem, se chegarem a tanto, num curso superior da
rede particular de ensino.
Na verdade, na convivência que deveria ser salutar, entre os, por
enquanto, quatro poderes, a comunidade carente ,e, as, ponhamos, autoridades
oficiais, tudo parece meio disforme do real, quando não reinando a
hipocrisia por atacado, ou mascaradas por mudanças que, na verdade,
não mudaram nada. Ora, para variar, temos uma reforma de ensino que,
na verdade não reformou nada, simplesmente deu rótulo novo ao antigo,
apenas racionou serviços e espaços, e ainda, pior, trabalha Seres
Humano enquanto números, estatísticas, porcentagens, tudo falseado,
beirando ao ridículo, tornando, na teoria-praxis, a tal reforma de
araque (para agiotas do capital estrangeiro arrotarem grandezas pífias)
uma empulhação de mala e cuia, com apoio estatal, principalmente desse
último insensível governo.
Nunca se falou tanto em Educação nesse país, e nunca o brasileiríssimo
Ser Humano enquanto profissional do ensino publico, ganhou tão pouco.
Menos do que um balconista das Lojas Riachuelo. Menos que um motorista
de ônibus urbano da paulicéia desvairada. Por outro lado, nunca as
escolas receberam tantos papéis bonitos, coloridos, chiques, de primeira
qualidade principalmente estética e conceitual, enquanto os educadores
ganhando uma miséria, simplesmente migram para bicos, viram camelôs
de ocasião, acabam sacoleiros de coisas cabritadas (ou feitas às pressas
na economia informal de porões e quintais), porque o que ganham se
matando, em lícitos mas inumanos acúmulos, mal pagam problemas pessoais
e carências causadas por amoralidades inumanas de um Plano Real em
terra brasilis de muito ouro e pouco pão.
O próprio Ministro Paulo Renato, certa feita, de forma açodada e suspeita,
liberou verba altíssima para universidades privadas, porque estas
estavam falindo e tendo problemas de "lucros", de geração
ruim de finanças por interesses escusos. Ora, quem não tem competência
não se estabelece, quem não tem capital que vá especular com a fome
e a miséria, por exemplo, lá nos Estados Unidos. Lá, no caso, seriam
processados, presos. Aqui, abancam suspeitos créditos desviados do
erário publico, sem auditorias e fiscalizações. Enquanto isso, por
outro lado, as universidades públicas beiram à falência, para gáudio
de neoliberais que querem globalizar a santa ignorancia, inclusive
a política, claro, para se revezarem de forma espúria nos podres poderes.
Na convivência entre colegas conscientes, politizados, a frustração
é geral. Todos seguem carregando a canga de novos serviços, cobranças
emergentes (mentiras novas com vernizes velhos), enquanto não têm
qualquer aumento de salário, e, quando recebem o holerite-cebola,
têm vergonha, tristeza, frustração, com o tal governo de um janota
e boçal ex-ateu, ex-marxista, ex-sociólogo.
O Ensino Publico vive capengando nas mãos de educadores que resistem,
apesar de tudo, e se não fosse isso, seria bem pior ainda a violência
generalizada nesses tempos tenebrosos (de corrupção endêmica institucionalizada
em toso os níveis mais uma impunidade malufiosa), pois cada sala de
aula na realidade seria uma triste micro-febem. Pior é quando uma
sra. que se diz secretária de educação, ao ver um professor
idoso e competente ser agredido, culpa a vítima; ao ver outro
mestre ser morto em exercício de regência, não faz nada pela segurança
do bairro que também resulta de forma indireta e imediata na escola.
Infelizmente parecendo mais uma pára-quedista que, por motivos escusos
despencou na Rede de Ensino e quer fazer chover no molhado, sem ter
consciência crítica e ético-legal do que é mesmo a dura realidade
de uma sala de aula, historicamente refletindo lucros impunes, riquezas
injustas, e ainda pioradas a partir da incompetente e corrupta ditadura
militar, depois, nessa nossa frágil democracia, somadas às nefastas
privatizações-roubos, apagões irracionais em terra de energias
de todos os tipos, mais aberrações técnico-administrativas-funcionais
que tornam bizarro o quadro negro da educação pública como um todo.
Fóruns de convivência de mestres (os sem salário), mais ONGs e organizações
internacionais poderiam denunciar esses desgovernos que resultaram
no atual "Pai da Fome" (FHC), fazendo uma conclamação popular
universal, pela conscientização pública geral, pois que a greve de
fome já dá para se medir nos cansados e doentes professores, estressados
e depressivos, endividados e tristes, que até tentam comer a insossa
merenda da escola para passarem o dia inteiro (e são criticados por
isso), entre dois empregos, vários bicos e tantas consternações, tentando
sonhar com dias melhores – sonhar é preciso, a esperança e a
inteligência da vida – até que vejam uma luz no fim do túnel
em tempos futuros, com uma sociedade esclarecida brigando por um humanismo
de resultados, e nem estatizaçao, nem privatização, mas humanização.
E depois, justiça seja feita, verdade seja dita, acabamos por perder
o respeito àqueles que camuflados multiplicam dívidas sociais, distribuem
favores a banqueiros e agiotas internacionais, agradam esquemas escusos
e bandalheiras de terno, gravata e farda, promovem engodos para ludibriarem
o povão (constitucionalmente razão de ser do estado) e ainda promovem
inversão de valores com apoio de parte comprometida da mídia e de
empresários que, diziam que iriam embora se o Lula fosse eleito e
preferiram o Collor e depois o FHC. E de Fernando em Fernando, o povão
vai se ferrando.
Nesses últimos tempos que, antros econômicos e balaios de ratos em
bandas cambiais, fundam cidadãos como meros dígitos entre inflações
camufladas e esmolas pseudosociais com grife e cartões bancários,
os educadores devem buscar por fóruns de debates, convivências sadias,
troca de informações sobre a docência em todo o território, esclarecimentos
legais e éticos, por que como está não pode continuar, sob pena de,
num futuro não tão longe assim, sermos substituídos por amigos do
alheio, máquinas sem ternura, e acabarmos todos cobaias desses nossos
tempos de arbítrios disfarçados de uma frágil democracia que na verdade
é uma ditadura da mídia (e medidas provisórias), quando os professores
acabarão se escondendo em bazares de periferias, bobas lojas de um
dólar, clandestinos carrinhos de hot-dog, sofrendo ainda a hedionda
violência já generalizada, banalizada, ferrando ainda mais a educação
pública principalmente, somando uma vergonhosa e histórica impunidade
por atacado, pois que a vida na Colômbia é melhor do que no Brasil
(quantas guerrilhas temos em campos e cidades?), quando a inflação
na Argentina é menor do que no Brasil (e lá derrubam governos neoliberais
que aqui engolimos com nhenhenhéns), quando, até, situações graves
no Afeganistão empatam com a nossa - acredite se quiser - e o nosso
salário mínimo, apesar de sermos uma das dez mais economias do mundo,
perde, por incrível que pareça, para o Paraguai, gerando nesses vários
"brasis" de contrastes sociais, um holocausto nas ruas da
miséria, entre os sem terra, sem salário, sem amor, sem Educação.
EM
SUMA: Brasil: -Que falta de Educação!
(Texto da Série – Inventários & Partilhas - Prática
Educacional Vivenciada)