Nos
últimos anos estamos vendo uma transformação nos filmes vindos de Hollywood,
devido, em grande parte, ao crescimento e sucesso dos filmes chamados
independentes: aqueles que não eram financiados pelas grandes empresas,
têm custos baixos, grandes idéias e passaram a Ter enorme retorno financeiro,
como por exemplo "El meriachi" ou, recentemente "A bruxa de blair".
Os dois exemplos acima citados foram logo encampados pelas grandes empresas,
que conseguiram, com isto, a sua parte no quinhão. Mas mais importante
que o retorno dado por estes filmes é o fato que mudaram os conceitos
de produção que antes, em sua grande maioria, tendia a assuntos sem
grande profundidade, sendo que filmes que levavam os espectadores a
pensar, que não entregavam tudo explicado e mastigado, eram considerados
chatos e coisa de diretores estrangeiros.
Então, graças a esta mudança temos o prazer de assistir a um filme como
"DANÇANDO NO ESCURO", que já chega laureado com a palma de ouro (Melhor
filme) e palma de prata (Melhor atriz = Björk) em Cannes.
Este filme que traz Caterinne Deneuve (A eterna Belle de Jour) e uma
surpresa mais que agradável, Björk, que além de ser sui generis como
cantora, revela-se uma grande atriz, capaz de nos emocionar nos momentos
em que sua personagem demonstra toda sua humildade e bondade, e também
com o seu rompimento com a realidade através dos sons a sua volta.
O principal motivo deste filme não será por mim aqui revelado, pois
só mesmo o espectador assistindo e através de sua própria sensibilidade
deve descobrir, ou não, do que se trata. Mas prestem atenção na mensagem
que toma a tela logo após a última cena que diz algo como "NÃO DEIXE
QUE ESTA SEJA A ÚLTIMA CANÇÃO, SÓ DEPENDE DE NÓS", voltem-se para o
que significa a última canção naquele contexto.
Um motivo mais claro da razão do filme é o fato da personagem de Björk
Ter uma doença genética que a levará a cegueira, então ela trabalha
incansavelmente para conseguir dinheiro para a operação dos olhos, não
a sua, mas de seu filho, e para este fim ela volta toda sua vida, mesmo
que seu filho não compreenda seus motivos, até mesmo por desconhecê-los.
Dizem que Björk foi escolhida para protagonizar este filme por Ter defendido
seu filho de repórteres, que avançavam para cima deles em um aeroporto,
então acharam nela a pessoa ideal. Ora, mas ela ganha a todos nós com
sua figura exótica (puxa! Finalmente podemos falar isto de alguém e
não sermos nós o alvo deste rótulo) e seu talento surpreendente. Portanto,
vá e assista ao filme, depois me passe e-mail contando-me suas impressões.
EMOCIONANTE!