{{Sapere Audare}} CINEMA [TEXTO 02]
TÍTULO: INTOLERÂNCIA NO SURGIMENTO DE UMA NAÇÃO
AUTOR: Wuberdan Pereira
E-MAIL DO AUTOR: wube@uol.com.br
DATA DE PUBLICAÇÃO: 11/09/2000

Neste texto de estréia aqui no Sapere Audare, resolvi falar sobre dois filmes de um dos maiores diretores dos primórdios da indústria cinematográfica, D.W.Griffith. O primeiro destes filmes "O Nascimento de uma Nação" mostra de forma bastante parcial a participação dos negros durante e após a Guerra da Secessão.

Ao contrário do politicamente correto que presenciamos atualmente, com muita dose de hipocrisia, neste filme os negros são retratados de forma perniciosa e maquiavélica, fazendo com que somente a presença do branco, todos honestos, trabalhadres, religiosos e vítimas, possa ser a redendora de uma sociedade dominada pelos negros. A coisa chega ao extremo de os ianques se unirem aos sulistas para combaterem os negros, advindo daí o surgimento da grande nação.

O filme que revolucionou a técnica de produção à época, vale mesmo a pena ser visto, pois mostra como que, através de conceitos estabelecidos e errôneos, aqueles que têm estas idéias conseguem ser tão estreitos na forma de pensar e não enxergam nem mesmo as próprias contradições, o que fica evidente. Assista, no mínimo vocês ficarão indignados. E por falar em contradição, D.W.Griffith atinge o cúmulo se compararmos o filme anterior com "Intolerância". Filme extremamente bem produzido que fala sobre como o ódio interferiu e pode interferir no amor. Para demonstrar isto ele utiliza fatos como "A noite de São Bartolomeu" e outros fatos históricos. O cenário criado para representar a cidade de Babilônia, do rei Nabucodonosor, só foi suplantado em escala recentemente pelo horrível "Waterworld" de Kevin Costner e por "Titanic" de James Cameron, e isto tudo num filme mudo e, lógico, em preto-e-branco. Este realmente fantástico, portanto assista-o, você irá se emocionar...

Presume-se que o segundo filme foi feito devido às enormes críticas recebidas pelo primeiro filme, mas ambos vistos sob a ótica social da época, entende-se. É interessante observar que "Intolerância" foi feito pouco antes da Revolução Russa e tem em si muitas das características que vieram nortear esta revolução. Atente-se a isto.

Depois de ter assistido a estes dois filmes fica a indagação de como alguém tão brilhante como D.W.Griffith, capaz de se indignar com o ódio e louvar o amor, como o faz em "Intolerância", é capaz de algo tão mesquinho e sem visão como em "O nascimento de uma Nação". Portanto, aí estã dada a dica, depoje-se de todos os SEUS preconceitos e veja que já existia ótimos filmes antes de "De Volta Para O Futuro".

NOS VEMOS POR AQUI.

Comentário enviado por Ludmila Barros - ludbr@bol.com.br:
O senhor Wuberdan (é nome ou pseudônimo?), em seu "texto de estréia" demonstrou muita intolerância com a grande raça branca, deixando entrever em sua fala que os brancos teriam agido de forma bruta com os negros na construção da bela nação americana. Talvez no fundo o senhor Wuberdan seja um branco recalcado que passou a vida inteira estudando em colégios de freira. O que ele tem de entender é que alguém deve assumir o compromisso de construir a história e nesse ponto os brancos sempre se mostraram bem mais preparados do que os negros. Haja vista a atual decadência do continente africano, onde a maioria negra, mesmo ajudada pelos brancos não conseguiram fazer nada que prestasse. Acho que o senhor Wuberdan deveria abandonar seu preconceito a respeito dos brancos, e reconhecer que eles, apenas eles têm condição de gerar um mundo melhor, onde todos sejam iguais e livres.

Resposta enviada por Wuberdan Pereira para Ludmila Barros:
Como você vai, tudo bem? Fique muito satisfeito de saber que as pessoas estão entrando no site do sapereaudare e vendo o que está sendo dito no mesmo, pois aquele espaço pretende ser democrático e assim o está sendo. Quanto ao seu comentário a respeito de meu artigo sobre D.W.Griffith, tenho algumas observações a fazer:
- Se eu usasse um camiseta tipo aquelas 100% NEGRO, eu teria que usar 100% BRANCO, 100% NEGRO, 100% ÍNDIO, pois minha família é assim composta...
- A crítica que eu fiz restringe-se aos filmes que assisti e ao conteúdo que apresentam, se você não assistiu não alcança do que estou falando;
- Antes que eu me esqueça, meu nome é Wuberdan mesmo, por mais esdrúxulo que possa te parecer, Ludmila...
- Ao que me parece, toda a desgraça na África é causada justamente pela chegada dos europeus, pois que eu saiba, viviam muito bem até então;
- Quanto seu ufanismo em relação aos BRANCOS, você está completamente equivocada. Que mundo melhor que os brancos são capazes de gerar? este que estamos vivendo? Em que você acha que a raça branca contribuiu para melhorar a vida dos negros? dos índios? A MEU VER ESTARIAM TODOS MELHORES SEM ELES, OS BRANCOS. Você percebe que o mundo caminha para a destruição gracas às benesses dos brancos?
- Os brancos, historicamente, acumularam conhecimento e disto fizeram uso, nada contra, muito louvável. O que está exposto acima é só alguns pontos para demonstrar que não existe raça superior (IDÉIA PERIGOSÍSSIMA).
Eu, como branco, negro e índio que sou, sei do valor de cada uma, portanto, se há algum preconceito aqui é o seu, que pode não notar, mas tem idéias que estão muito próximas das idéias facistas.
Por enquanto é só, assista ao filme, reinteiro e saberá o porquê do comentário. Obrigado.

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